Dando seqüência à seção Passando a bola, o jornalista Elton Carvalho, editor do Jornal Notícias do Dia, comenta as primeiras ações da nova diretoria do Joinville no futebol. Solicitei ao Elton que escrevesse o texto antes do jogo entre JEC e Chapecoense, que ocorre logo mais, na Arena, para que o desempenho do time não pesasse na avaliação. Segue abaixo.
Refém da sorte
Por Elton Carvalho
Atendendo ao pedido do colega Rafael Alonso, participo hoje do “Passando a bola”. E, logo de cara, tenho a missão de avaliar o Joinville 2008/2009, agora sob o comando da nova diretoria. Sem rodeios, inicio a observação.
Antes de vencer as eleições, os componentes da atual diretoria disparavam para todos os cantos: “é preciso montar um time novo para a Copa Santa Catarina”. Acertaram. A prova veio dias depois, com as derrotas do Juventus diante do fraco Brusque. Qual é a solução então? Contratar um novo time! Foi o que Fontan, Martinelli e Campos fizeram. Trouxeram 20 jogadores. A partir daí, começa a desconfiança: precisava de tudo isso? Talvez sim. Os erros nas contratações são tantos nos últimos tempos, que é necessário contratar por atacado. Se acertar a metade, já tem um time.
OK, por omissão a diretoria na irá errar. Porém, pode se equivocar por impulsão. Durante todos os dias que estive no JEC, ouvi muito pouco a respeito dos critérios para a escolha dos jogadores. Pior, o pouco é “pouco” animador: “são jogadores conhecidos do Leandro”, ou “o empresário trouxe o atacante, mas quer espaço para o lateral e o meia”. Resumindo: o Joinville continua refém das indicações de técnicos e dos “pacotes” dos empresários.
Fazendo uma rápida retrospectiva. Em 2007, Itamar Schulle trouxe o seu conhecido, o Gringo, lembram? Não deu certo. O Barbieri indicou o Glauber, Leandro Smith, Galeano e os levou pro Sertãozinho, logo depois. Não deu certo. O Macuglia referendou o lateral Jal, o atacante Giancarlo e o volante Pansera. Não deu certo. Em 2008, Waldemar Lemos indicou o atacante Alexandro, o zagueiro Daniel, o volante Marcão. Não deu certo. Por fim, o Agenor Piccinin trouxe o Dudu, o Márcio Nocrato, o Antônio Carlos e nada. Nesta brincadeira, citei alguns ciclos de jogadores no JEC. Nenhum ficou ou rendeu lucro ao clube.
Aí está o grande problema da atual diretoria. Sem tempo, ela apelou para o mesmo recurso das administrações anteriores. Confiou em outros, para formar o time. A frase é batida, mas vale lembrar: “as pessoas passam, o JEC fica”. Serão estes jogadores outros “passageiros” da linha “Inferno tricolor”? Espero que não. Se isso acontecer, o JEC acumulará mais dívidas e permanecerá estagnado. Por falar em dinheiro, da onde vieram tantos recursos para contratações sem o patrocínio da Consul? Mais um indício do erro por impulsão.
Dá até para dar um “desconto” devido à falta de tempo. Contudo, quem sabe, um dia, o clube adote o modelo de gestão do Figueirense e do Avaí e contrate alguém para formar um projeto de verdade. Um profissional que viaje o Brasil atrás de reforços sem influência de terceiros. Se este profissional estivesse no clube desde a mudança de diretoria, já teria algumas observações, pelo menos, para o Campeonato Catarinense. Do jeito que está, o JEC será alvo da sorte ao confiar em empresários e treinadores. E, por enquanto, só nos resta torcer para a sorte vencer o jogo.