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Papo com presidente

O presidente do Joinville, Márcio Vogelsanger, ia passar reto pelo saguão da Arena, sem dar muita atenção à imprensa. Mas aí o lendário radialista Luís Fossile soltou o seu jargão tradicional: “E aí, presidente, alguma novidade nova?”. Na mesma hora, Márcio parou e começou a bater um papo com ele e eu.

Disse que havia iniciado o processo de redução de pessoal no clube. “Demiti dois ou três que ganhavam 4 mil reais e não faziam nada (um deles um funcionário fantasma)” e deu férias, para depois demitir, mais quatro ou cinco funcionários das categorias de base. Como já pregava antes das eleições, ele acredita que o momento é de investir no futebol profissional para trazer de volta a confiança da torcida, e que considera absurdo um time como o Joinville, que não está nem na quarta divisão nacional, manter na categoria de base profissionais da psicologia, médicos, três cozinheiras, etc. Em partes, ele está certo. “Está na hora de parar de empinar o nariz. A situação do JEC hoje é outra”.

O mais interessante do papo, na minha opinião, foi constatar que uma velha prática no clube continua a existir. Os principais diretores tirando dinheiro do próprio bolso para pagar salários de jogador. A renda mensal do Joinville hoje é de R$ 215 mil. Ingenuamente, como mesmo disse ao Márcio, perguntei como funciona essa troca financeira, se eles se reebolsavam, ou se deixavam por isso mesmo. “Esses valores a gente deixa marcadinho e depois dá um jeito de repor”. Ah, bom, presidente.

Rocha com a bola cheia

Na esteira da valorização de conteúdos locais, hoje à tarde repercutimos a primeira partida da final da Primeirona, vencida pela Serrana por 4 a 0 em cima da Krona. O meio-campo Rocha, 40 anos, marcou os dois primeiros gols – o segundo aos 16 segundos da etapa final – e , mesmo substituído na metade do segundo tempo por falta de resistência física, foi eleito o grande nome do jogo.

Além disso, a pauta ganhou um sabor a mais. Ao final da partida de domingo, ele declarou que vai parar de jogar neste ano. Se a despedida de um atleta amador parece banal, a de Rocha não será. Em 1987, quando se profissionalizou no Joinville, venceu o campeonato Catarinense e foi o primeiro atleta da história do JEC a ser convocado para a Seleção Brasileira.

O papo fluiu naturalmente, numa seriedade amigável. O encontro ganhou ares de brincadeira somente quando a fotógrafa Joyce Reinert “montou” as fotos. Aí o ex-profissional precisou deitar no sofá, dar sorrisos, pendurar as chuteiras no ombro, etc.

Um outro elemento utilizado pela Joyce na preparação da foto foi uma bola nova, porém parcialmente cheia, que Rocha demorou a achar. Na despedida, Rocha me presenteou com a bola. Antes, é claro, relutei em aceitar. De volta à redação, a piadinha se tornou inevitável: “O Rocha reconhece um cara que joga muito. Quando me deu a bola, falou: ‘de craque pra craque'”.

Pensei em comentar sobre a debandada de jogadores profissionais ao futebol amador já na sexta-feira, mas desisti. Esse foi o tema da matéria especial do fim de semana, que apresentava a final entre Serrana e Krona. O jogo foi hoje e a Serrana goleou por 4 a 0. Reunimos o volante Duda, 27 anos, da Serrana, e o goleiro Foca, 21, da Krona. O local escolhido foi a Arena Joinville, palco da decisão.

Como já havíamos esgotado a imaginação para bolar matérias especiais da Primeirona, pensar em falarmos sobre esse “fenômeno”. Duda jogou alguns anos no Joinville, sendo até campeão estadual em 2001. Já Foca atravessou durante seis anos as categorias de base do clube e nunca teve uma oportunidade de jogar uma partida como profissional. Apesar das diferenças, um aspecto aproxima-os.

Somente com opções incertas para continuar na carreira profissional – Duda tinha proposta do Treze da Paraíba e Foca praticamente passou fome uma semana no RS em busca de um contrato -, os dois encontraram no futebol amador uma forma de ter um emprego fixo (e conseqüentemente um salário) e continuar batendo uma bolinha, e ainda ganhando pra isso. Ou seja, atletas sem qualidade suficiente pra jogar em grandes times encontram no futebol amador uma saída. Por sua vez, o futebol amador se enche de glamour com a presença de ex-profissionais um pouco conhecidos.

Foca diz que vai tentar “vingar” no futebol até os 23 anos. Aos 27, Duda já “perdeu o tesão” e quer mais é aproveitar a vida.

Como desfruto de um dia de folga – amanhã vou cobrir as decisões das duas divisões de amadores de Joinville -, aproveito para atualizar os leitores sobre a participação dos times joinvilenses neste sábado. Embora não tenha recebido nenhuma visita ainda hoje, um fato me chamou a atenção na semana passada. Dois internautas ficaram sabendo do resultado do jogo do JEC, na última quarta-feira, através do meu blog. Eu falei da bunda polêmica, mas como também coloquei um pouco de informação (o resultado) foi o suficiente para duas pessoas encontrarem esse espaço através das “tags” que digitaram no google.

Bom, quem venceu sem maiories dificuldades foi o Joinville/Krona. No jogo de volta da semifinal pelo Campeonato Catarinense, triunfo de 5 a 1 sobre a Unisul, de Tubarão. A superioridade foi tanta que o gol dos visitantes foi marcado por Willian, do JEC, contra. No ginásio Abel Schulz, a Tigre/Unisul conquistou a terceira vitória na Superliga de Vôlei: bateu o Bento Vôlei por 3 a 2. No entanto, o resultado deixou uma preocupação. Apesar de ter conquistado o terceiro resultado positivo consecutivo, o time joinvilense sofreu para derrotar três adversários que não constam na lista dos favoritos ao título. Na estréia, quando enfrentou o Betim, time de maior qualidade, perdeu. É esperar pra ver.

A bunda polêmica

Ontem, no retorno do jogo do JEC, o tema mais polêmico na redação não foi o empate em 2 a 2 entre Joinville e Chapecoense. O que gerou mais discussão foi o flagrante da fotógrafa Joyce Reinert, que registrou o protesto inusitado de um torcedor jequeano ao final da partida. Talvez até mesmo em repulsa à própria ação da profissional, ele virou de costas e abaixou as calças. Empolgada, Joyce insistia para que a foto fosse publicada. Mas não foi. Os argumentos foram os mais previsíveis, a maioria de cunho moralista.

Na edição de amanhã, o jornal deve publicá-la na seção “foto do dia”. O comunicador Ênio Alexandre também prometeu mostrá-la na televisão, no Jornal do Meio-dia. E você, publicaria a imagem da bunda?

A foto polêmica

A foto polêmica

Passando a bola – 2

Dando seqüência à seção Passando a bola, o jornalista Elton Carvalho, editor do Jornal Notícias do Dia, comenta as primeiras ações da nova diretoria do Joinville no futebol. Solicitei ao Elton que escrevesse o texto antes do jogo entre JEC e Chapecoense, que ocorre logo mais, na Arena, para que o desempenho do time não pesasse na avaliação. Segue abaixo.

Refém da sorte

Por Elton Carvalho

Atendendo ao pedido do colega Rafael Alonso, participo hoje do “Passando a bola”. E, logo de cara, tenho a missão de avaliar o Joinville 2008/2009, agora sob o comando da nova diretoria. Sem rodeios, inicio a observação.

Antes de vencer as eleições, os componentes da atual diretoria disparavam para todos os cantos: “é preciso montar um time novo para a Copa Santa Catarina”. Acertaram. A prova veio dias depois, com as derrotas do Juventus diante do fraco Brusque. Qual é a solução então? Contratar um novo time! Foi o que Fontan, Martinelli e Campos fizeram. Trouxeram 20 jogadores. A partir daí, começa a desconfiança: precisava de tudo isso? Talvez sim. Os erros nas contratações são tantos nos últimos tempos, que é necessário contratar por atacado. Se acertar a metade, já tem um time.

OK, por omissão a diretoria na irá errar. Porém, pode se equivocar por impulsão. Durante todos os dias que estive no JEC, ouvi muito pouco a respeito dos critérios para a escolha dos jogadores. Pior, o pouco é “pouco” animador: “são jogadores conhecidos do Leandro”, ou “o empresário trouxe o atacante, mas quer espaço para o lateral e o meia”. Resumindo: o Joinville continua refém das indicações de técnicos e dos “pacotes” dos empresários.

Fazendo uma rápida retrospectiva. Em 2007, Itamar Schulle trouxe o seu conhecido, o Gringo, lembram? Não deu certo. O Barbieri indicou o Glauber, Leandro Smith, Galeano e os levou pro Sertãozinho, logo depois. Não deu certo. O Macuglia referendou o lateral Jal, o atacante Giancarlo e o volante Pansera. Não deu certo. Em 2008, Waldemar Lemos indicou o atacante Alexandro, o zagueiro Daniel, o volante Marcão. Não deu certo. Por fim, o Agenor Piccinin trouxe o Dudu, o Márcio Nocrato, o Antônio Carlos e nada. Nesta brincadeira, citei alguns ciclos de jogadores no JEC. Nenhum ficou ou rendeu lucro ao clube.

Aí está o grande problema da atual diretoria. Sem tempo, ela apelou para o mesmo recurso das administrações anteriores. Confiou em outros, para formar o time. A frase é batida, mas vale lembrar: “as pessoas passam, o JEC fica”. Serão estes jogadores outros “passageiros” da linha “Inferno tricolor”? Espero que não. Se isso acontecer, o JEC acumulará mais dívidas e permanecerá estagnado. Por falar em dinheiro, da onde vieram tantos recursos para contratações sem o patrocínio da Consul? Mais um indício do erro por impulsão.

Dá até para dar um “desconto” devido à falta de tempo. Contudo, quem sabe, um dia, o clube adote o modelo de gestão do Figueirense e do Avaí e contrate alguém para formar um projeto de verdade. Um profissional que viaje o Brasil atrás de reforços sem influência de terceiros. Se este profissional estivesse no clube desde a mudança de diretoria, já teria algumas observações, pelo menos, para o Campeonato Catarinense. Do jeito que está, o JEC será alvo da sorte ao confiar em empresários e treinadores. E, por enquanto, só nos resta torcer para a sorte vencer o jogo.

Leandro Machado, este ano, no Criciúma

Leandro Machado, este ano, no Criciúma


Amanhã de noite o Joinville volta a jogar uma partida oficial. Foram 199 dias inativo, já que o clube não conseguiu a vaga na Série C. Agora, a briga será por um espaço na Série D. A estréia na Copa Santa Catarina é contra a Chapecoense. Como a idéia foi fazer uma matéria especial, o Elton foi ao treino do JEC e eu ao da Chapecoense.

O trabalho ocorreu no estádio do América. Como os jogadores só faziam um “recreativo”, uma brincadeira, em outras palavras, aproveitei pra conversar com o técnico Leandro Machado. Hoje na Chapecoense, que briga por uma vaga na Série D, ele dirigiu o Criciúma em parte da Série B e teve passagem rápida pelo Náutico, na Série A. Disse que recebeu propostas de clubes da Série B, mas para não pegar o barco andando e ainda ser acusado por algum fracasso, optou por ficar na discreta Chapecoense até o final do ano. Já antecipou, inclusive, que não fica pro Catarinense de 2009.

De jeito esperto, disse que saiu do Criciúma em função da interferência de um diretor de outra cidade. Segundo Leandro, o Criciúma vai ser rebaixado, pois errou ao contratar o atacante Jardel, que está com uma “barriga de cavalo”, entre outros jogadores renomados mas de pouco futebol.

No final, solicitei ao treinador o time-base da Chapecoense, explicando-o que precisava completar a ficha técnica na matéria de apresentação do jogo. Muito reticente, ele até passou. Mais tarde, na redação, o Elton entrou em contato com um repórter de Chapecó. Resultado: a metade dos jogadores que Leandro havia me informado eram reservas. Na cabeça dele, isso faria alguma diferença no jogo. Mais do que nunca, vou torcer pro JEC golear.